Visita Técnica para Ação

Fonte: Wiki Escola de Ativismo
Revisão em 18h34min de 15 de janeiro de 2018 por Nah (discussão | contribs)
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Sessão

Como planejar e executar uma visita técnica para realizar uma ação direta.
Também conhecido como reconhecimento de área ou Scouting

Grupo de Participantes

Grupos de 5 - 6

Objetivo

Aprender a planejar e executar a prática de reconhecimento de área (ou visita técnica) para realizar uma ação direta

Conteúdos

Logística em ações diretas; ações criativas; aspectos legais em ações diretas; Pontos de intervenção

Como fazer

Introdução Explicação geral de como será a atividade seguida de explanação sobre duas possíveis situações diferentes que podem acontecer:

=> CENÁRIO 1
Visita técnica para coleta de dados e informações para uma ação direta já com o design pré-estabelecido. É muito comum no universo ativista acontecer logo após a decisão de realizar uma determinada ação.
=> CENÁRIO 2
Visita técnica para prospecção de informações e geração de subsídios para subsidiar uma ‘chuva de ideias’ sobre possíveis ações e/ou determinar a viabilidade e/ou elaborar um design inicial de uma ação direta. Há casos em que a pouca ou nenhuma informação sobre o local não permite avançar num bom design da ação ou, indo além, se ela é possível de ser realizada. Nesta situação é comum acontecer uma primeira visita de prospecção e após um design estabelecido uma segunda (ou mais) visita(s) técnica(s) para coleta de dados e informações específicas para a ação planejada.

CENÁRIO 1 - DESIGN PRÉ-ESTABELECIDO Sessão 1 - Preparação (4h a 4.5h) Esquenta(!) (1,5h)

Apresentação dos participantes e organizadores do processo. Cada pessoa se apresenta e relata uma ação que achou sensacional e o por que disso ou uma ação que participou. Registrar em tarjetas e expor em painel/parede e deixar ao longo de todo o dia como inspiração e referencia.
Iniciar na sequência um debate dando ênfase ao fato de que questões logísticas podem alterar muito o design da ação, seu sucesso ou até mesmo inviabilizá-la e, portanto, são fundamentais e basilares. A atividade pode ser feita de forma expositiva, contudo para um só grupo de 5-6 pessoas sugere-se usar a técnica de perguntas provocadoras e colheita com mediação ressaltando os principais pontos que são objetos dessa etapa. Para dois ou mais grupos sugere-se um word-café também com as mesmas perguntas provocadoras. Antes de sair a campo, alguns passos serão necessários e estes podem ser transformados nas tais perguntas:

1) É necessário ter conhecimento dos objetivos da ação, alvos e possíveis narrativas?
2) Precisamos de um check-list sobre quais informações e dados a coletar em campo?
3) O que podemos pesquisar no escritório antes de ir a campo?
4) Quais ferramentas levar?
5) Precisamos de uma história-cobertura?

Entendendo a Ação (1h): Distribuir para as pessoas participantes uma proposta de ação direta a ser realizada em um local nas proximidades do encontro. [Essa proposta deve ser construída anteriormente veja OBS1]. Explicar que o grupo pretende fazer esta ação e uma visita técnica será necessária e que as pessoas participantes foram escolhidas para isso. Não entregar todas informações disponíveis. Solicitar que façam um exercício de debate e levantamento de informações necessárias para realizar a visita técnica. Este é o momento de resgatar a discussão inicial. Estimular que cada pessoa pense em que tipo de informação seria necessária e importante para saber o que coletar durante a visita técnica. Facilitar o exercício e os debates e dar exemplos de como tal informação pode influenciar na coleta de um dado/informação. Finalizar reforçando que as pessoas que irão realizar a visita técnica em campo devem estudar todas as informações possíveis.

OBS1: Será necessário visitar e escolher previamente um ou mais local(is) que propiciem o máximo de situações possíveis para tornar a prática mais rica. Também previamente deve-se preparar: os objetivos da campanha, causa ou da própria ação; um desenho mínimo da ação prevista; seus alvos e o grau de oposição às suas demandas; pelo menos um resumo da narrativa que justifica a ação, local e data. É opcional definir sobre horário e número estimado de pessoas participantes, necessidades específicas com mídia etc. Em caso de perguntas sobre informações que sejam pertinentes para realizar uma boa visita técnica, peça um tempo e crie a informação na hora]. Escolher mais de um local pode servir de plano A e plano B caso um dos locais tenha algum impedimento de realizar a prática. Já fizemos essa prática em locais como: supermercados, padaria e porta de fábrica.

Check-list (1h): Elencar os pontos a observar em campo durante a visita técnica e fazer um check list. Este exercício pode ser feito concomitante com a discussão acima. Se inicia a solicitação e debate sobre as informações gerais e de forma crescente vai construindo a lista. Uma forma de facilitar o tal check-list é criar subdivisões como, por exemplo:

Dados do local

O que pode ou deve ser checado, a depender do tipo e escala da ação:

  • Rotas de chegada e saída da atividade; plano B para ambos os casos
  • Acessibilidade e tráfego no local e proximidades: carro, moto, bike, onibus
  • Iluminação do local, posição do sol, sugestão de pontos para fotografia e vídeo
  • Alternativas em caso de chuva; abrigos próximos, locais públicos
  • Locais seguros para membros do grupo se refugiarem, se necessário
  • Existência e distância de postos de polícia, pronto-socorro, hospital e bombeiros
  • Poluição sonora: bares com som alto, linha férrea, aeroportos, autopistas, obras, pedreiras etc.
  • Eventos diversos (cerimônias, comícios, festas populares, feiras livres, shows etc.) marcados para as proximidades do local nos dias que antecedem e sucedem e na própria data prevista.
  • Número de seguranças privados, nome da empresa de segurança, aparato de segurança
  • Distâncias básicas necessárias: da rua, do portão, da largura do rio, da altura do edifício, da grade, do muro, da rota a ser percorrida, da cena em si etc.
Comunicação para a ação
  • Possível local de distribuição de foto e vídeo: lan house, pontos de internet, central de comunicação
  • Como se dará a comunicação do grupo. Checar acesso a internet, operadoras de celular, radiofonia, interferências e pontos cegos
  • Local onde pode ficar a imprensa, se houver e for o caso
Riscos legais
  • Elencar possíveis pontos ou situações de conflito. Prever enquadramentos
  • Empena cega (no caso de projeção), medir distância e testar em outro local
  • Elencar riscos de danos físicos possíveis. Prever enquadramentos
Específico sobre o design da ação
  • O tamanho do cenário da ação é adequado para a proposta? Usar a altura de uma pessoa como medida e fazer fotos para depois fazer os cálculos necessários
  • A ação vai ficar pequena demais na foto?
  • Como fazemos para que o local da ação apareça na foto?
  • A pessoas previstas são poucas ou muitas para o local da ação

Pesquisa de escritório (0.5h): Com a lista de dados e informações a coletar, fazer uma exposição dialogada e facilitar a realização de uma pesquisa básica sobre o local alvo, adversários etc. Utilizar Google images e Google Maps/Earth.

Sessão 2 - visita técnica (3h) Antes de sair para a prática, peça para o grupo definir papéis, funções e tarefas de cada pessoa no exercício. Na maioria dos casos é importante definir uma liderança, alguém que tome a decisão de abortar, continuar, mudar os planos etc. sem que precise fazer uma reunião ou plenária (rsrs) durante a visita técnica para a tomada de decisão. Debata sobre isso e dê exemplos do que pode acontecer como:

  • serem descobertos por chamar a atenção
  • quem fala com pessoas curiosas
  • a polícia ser chamada e levarem um baculejo
  • alguém se ferir tentando conseguir a informação/dado

Ainda antes de sair explicar que, de preferência, a visita técnica é realizada em horário e dia parecido com o momento escolhido da ação, para que se possa avaliar o movimento do local no mesmo momento que será a ação, verificar luz e posição para fotos e vídeos etc. Se for um domingo pela manhã, frise que o local deve ser visitado de domingo pela manhã, para evitar surpresas.

OBS2: aqui pode-se optar por ter alguém da organização no local que vai encostar no grupo e começar a fazer perguntas pra descobrir o que eles estão fazendo lá. Isso serve para enfatizar a necessidade de ter uma história-cobertura mínima.

No local, deixe que as pessoas participantes façam a coleta de dados e informações nos primeiros 30 minutos. A partir daí, tenha em mãos seu próprio checklist (com mais elementos do que os listadas acima) para repassar com elas se todas as informações necessárias foram levantadas. Neste momento é importante salientar a necessidade da discrição, de não serem notados durante a prática. Algumas sugestões:

  • realizar a visita sempre com um menor número de pessoas: duas é ideal
  • usar um bar, restaurante, mercearia ou similar; algum estabelecimento que possa sentar e ficar papeando e observando
  • pneu de carro furado + simular que está falando no celular e filmar a cena
  • piquenique, roda de conversa ou algo que seja normal ter um grupo reunido
  • bike quebrada, simular um tombo e ficar um tempo no local + uso do celular
  • pedir informações diretamente no local, conversar com pessoas do local sem chamar atenção, simular que está perdida.

Ao todo a prática pode levar de 1h30 a 2h30. Deve-se retornar para o espaço onde está acontecendo a aprendizagem e com as informações levantadas finalizar a prática debatendo os seguintes pontos:

  • A ação será viável com o design proposto?
  • Se sim, requer ajustes? Se não, haveria outra proposta?
  • Exercitar sobre quais informações faltaram ou estão incompletas. Por exemplo, passaram de 1h a 2h coletando informações mas seria necessário ficar mais horas e mais dias...

Aqui pode-se utilizar das tarjetas com exemplos de ação para enriquecer o debate.


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