Visita Técnica para Ação

Fonte: Wiki Escola de Ativismo
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Sessão

Como planejar e executar uma visita técnica para realizar uma ação direta.
Também conhecido como reconhecimento de área ou Scouting

Grupo de Participantes

Grupos de 5 - 6

Objetivo

Aprender a planejar e executar a prática de reconhecimento de área (ou visita técnica) para realizar uma ação direta

Conteúdos

Logística em ações diretas; ações criativas; aspectos legais em ações diretas; Pontos de intervenção

Como fazer

Introdução
Explicação geral de como será a atividade seguida de explanação sobre duas possíveis situações diferentes que podem acontecer:

=> CENÁRIO 1
Visita técnica para coleta de dados e informações para uma ação direta já com o design pré-estabelecido. É muito comum no universo ativista acontecer logo após a decisão de realizar uma determinada ação.
=> CENÁRIO 2
Visita técnica para prospecção de informações e geração de subsídios para subsidiar uma ‘chuva de ideias’ sobre possíveis ações e/ou determinar a viabilidade e/ou elaborar um design inicial de uma ação direta. Há casos em que a pouca ou nenhuma informação sobre o local não permite avançar num bom design da ação ou, indo além, se ela é possível de ser realizada. Nesta situação é comum acontecer uma primeira visita de prospecção e após um design estabelecido uma segunda (ou mais) visita(s) técnica(s) para coleta de dados e informações específicas para a ação planejada.

CENÁRIO 1 - DESIGN PRÉ-ESTABELECIDO
Sessão 1 - Preparação (4h a 4.5h)
Esquenta(!) (1,5h)

Apresentação dos participantes e organizadores do processo. Cada pessoa se apresenta e relata uma ação que achou sensacional e o por que disso ou uma ação que participou. Registrar em tarjetas e expor em painel/parede e deixar ao longo de todo o dia como inspiração e referencia.
Iniciar na sequência um debate dando ênfase ao fato de que questões logísticas podem alterar muito o design da ação, seu sucesso ou até mesmo inviabilizá-la e, portanto, são fundamentais e basilares. A atividade pode ser feita de forma expositiva, contudo para um só grupo de 5-6 pessoas sugere-se usar a técnica de perguntas provocadoras e colheita com mediação ressaltando os principais pontos que são objetos dessa etapa. Para dois ou mais grupos sugere-se um word-café também com as mesmas perguntas provocadoras. Antes de sair a campo, alguns passos serão necessários e estes podem ser transformados nas tais perguntas:

1) É necessário ter conhecimento dos objetivos da ação, alvos e possíveis narrativas?
2) Precisamos de um check-list sobre quais informações e dados a coletar em campo?
3) O que podemos pesquisar no escritório antes de ir a campo?
4) Quais ferramentas levar?
5) Precisamos de uma história-cobertura?

Entendendo a Ação (1h): Distribuir para as pessoas participantes uma proposta de ação direta a ser realizada em um local nas proximidades do encontro. [Essa proposta deve ser construída anteriormente veja OBS1]. Explicar que o grupo pretende fazer esta ação e uma visita técnica será necessária e que as pessoas participantes foram escolhidas para isso. Não entregar todas informações disponíveis. Solicitar que façam um exercício de debate e levantamento de informações necessárias para realizar a visita técnica. Este é o momento de resgatar a discussão inicial. Estimular que cada pessoa pense em que tipo de informação seria necessária e importante para saber o que coletar durante a visita técnica. Facilitar o exercício e os debates e dar exemplos de como tal informação pode influenciar na coleta de um dado/informação. Finalizar reforçando que as pessoas que irão realizar a visita técnica em campo devem estudar todas as informações possíveis.

OBS1: Será necessário visitar e escolher previamente um ou mais local(is) que propiciem o máximo de situações possíveis para tornar a prática mais rica. Também previamente deve-se preparar: os objetivos da campanha, causa ou da própria ação; um desenho mínimo da ação prevista; seus alvos e o grau de oposição às suas demandas; pelo menos um resumo da narrativa que justifica a ação, local e data. É opcional definir sobre horário e número estimado de pessoas participantes, necessidades específicas com mídia etc. Em caso de perguntas sobre informações que sejam pertinentes para realizar uma boa visita técnica, peça um tempo e crie a informação na hora]. Escolher mais de um local pode servir de plano A e plano B caso um dos locais tenha algum impedimento de realizar a prática. Já fizemos essa prática em locais como: supermercados, padaria e porta de fábrica.

Check-list (1h): Elencar os pontos a observar em campo durante a visita técnica e fazer um check list. Este exercício pode ser feito concomitante com a discussão acima. Se inicia a solicitação e debate sobre as informações gerais e de forma crescente vai construindo a lista. Uma forma de facilitar o tal check-list é criar subdivisões como, por exemplo:

Dados do local

O que pode ou deve ser checado, a depender do tipo e escala da ação:

  • Rotas de chegada e saída da atividade; plano B para ambos os casos
  • Acessibilidade e tráfego no local e proximidades: carro, moto, bike, onibus
  • Iluminação do local, posição do sol, sugestão de pontos para fotografia e vídeo
  • Alternativas em caso de chuva; abrigos próximos, locais públicos
  • Locais seguros para membros do grupo se refugiarem, se necessário
  • Existência e distância de postos de polícia, pronto-socorro, hospital e bombeiros
  • Poluição sonora: bares com som alto, linha férrea, aeroportos, autopistas, obras, pedreiras etc.
  • Eventos diversos (cerimônias, comícios, festas populares, feiras livres, shows etc.) marcados para as proximidades do local nos dias que antecedem e sucedem e na própria data prevista.
  • Número de seguranças privados, nome da empresa de segurança, aparato de segurança
  • Distâncias básicas necessárias: da rua, do portão, da largura do rio, da altura do edifício, da grade, do muro, da rota a ser percorrida, da cena em si etc.
Comunicação para a ação
  • Possível local de distribuição de foto e vídeo: lan house, pontos de internet, central de comunicação
  • Como se dará a comunicação do grupo. Checar acesso a internet, operadoras de celular, radiofonia, interferências e pontos cegos
  • Local onde pode ficar a imprensa, se houver e for o caso
Riscos legais
  • Elencar possíveis pontos ou situações de conflito. Prever enquadramentos
  • Empena cega (no caso de projeção), medir distância e testar em outro local
  • Elencar riscos de danos físicos possíveis. Prever enquadramentos
Específico sobre o design da ação
  • O tamanho do cenário da ação é adequado para a proposta? Usar a altura de uma pessoa como medida e fazer fotos para depois fazer os cálculos necessários
  • A ação vai ficar pequena demais na foto?
  • Como fazemos para que o local da ação apareça na foto?
  • A pessoas previstas são poucas ou muitas para o local da ação

Pesquisa de escritório (0.5h): Com a lista de dados e informações a coletar, fazer uma exposição dialogada e facilitar a realização de uma pesquisa básica sobre o local alvo, adversários etc. Utilizar Google images e Google Maps/Earth.

Sessão 2 - visita técnica (3h) Antes de sair para a prática, peça para o grupo definir papéis, funções e tarefas de cada pessoa no exercício. Na maioria dos casos é importante definir uma liderança, alguém que tome a decisão de abortar, continuar, mudar os planos etc. sem que precise fazer uma reunião ou plenária (rsrs) durante a visita técnica para a tomada de decisão. Debata sobre isso e dê exemplos do que pode acontecer como:

  • serem descobertos por chamar a atenção
  • quem fala com pessoas curiosas
  • a polícia ser chamada e levarem um baculejo
  • alguém se ferir tentando conseguir a informação/dado

Ainda antes de sair explicar que, de preferência, a visita técnica é realizada em horário e dia parecido com o momento escolhido da ação, para que se possa avaliar o movimento do local no mesmo momento que será a ação, verificar luz e posição para fotos e vídeos etc. Se for um domingo pela manhã, frise que o local deve ser visitado de domingo pela manhã, para evitar surpresas.

OBS2: aqui pode-se optar por ter alguém da organização no local que vai encostar no grupo e começar a fazer perguntas pra descobrir o que eles estão fazendo lá. Isso serve para enfatizar a necessidade de ter uma história-cobertura mínima.

No local, deixe que as pessoas participantes façam a coleta de dados e informações nos primeiros 30 minutos. A partir daí, tenha em mãos seu próprio checklist (com mais elementos do que os listadas acima) para repassar com elas se todas as informações necessárias foram levantadas. Neste momento é importante salientar a necessidade da discrição, de não serem notados durante a prática. Algumas sugestões:

  • realizar a visita sempre com um menor número de pessoas: duas é ideal
  • usar um bar, restaurante, mercearia ou similar; algum estabelecimento que possa sentar e ficar papeando e observando
  • pneu de carro furado + simular que está falando no celular e filmar a cena
  • piquenique, roda de conversa ou algo que seja normal ter um grupo reunido
  • bike quebrada, simular um tombo e ficar um tempo no local + uso do celular
  • pedir informações diretamente no local, conversar com pessoas do local sem chamar atenção, simular que está perdida.

Ao todo a prática pode levar de 1h30 a 2h30. Deve-se retornar para o espaço onde está acontecendo a aprendizagem e com as informações levantadas finalizar a prática debatendo os seguintes pontos:

  • A ação será viável com o design proposto?
  • Se sim, requer ajustes? Se não, haveria outra proposta?
  • Exercitar sobre quais informações faltaram ou estão incompletas. Por exemplo, passaram de 1h a 2h coletando informações mas seria necessário ficar mais horas e mais dias...

Aqui pode-se utilizar das tarjetas com exemplos de ação para enriquecer o debate.



CENÁRIO 2 - GERAR SUBSÍDIOS
Esquenta(!) (1,5h)
Apresentação dos participantes e organizadores do processo. Cada pessoa se apresenta e relata uma ação que achou sensacional e o por que disso ou uma ação que participou. Registrar em tarjetas e expor em painél/parede e deixar ao longo de todo o dia como inspiração e referência.

Recomenda-se para este caso que os participantes tenham passado pelo menos pelo roteiro de Pontos de Intervenção e tenham algumas escolhas míninas sobre onde fazer a ação ainda que não tenham o design e tipo da ação muito claro.

Sendo assim, iniciar em seguida um debate dando ênfase ao fato de que questões logísticas podem alterar muito o design da ação, seu sucesso ou até mesmo inviabilizá-la e, portanto, são fundamentais e basilares. A atividade pode ser feita de forma expositiva, contudo para um só grupo de 5-6 pessoas sugere-se usar a técnica de perguntas provocadoras e colheita com mediação ressaltando os principais pontos que são objetos dessa etapa. Para dois ou mais grupos sugere-se um word-café também com as mesmas perguntas provocadoras. Antes de sair a campo, alguns passos serão necessários e estes podem ser transformados nas tais perguntas:
1) É necessário ter conhecimento dos objetivos da ação e alvo(s)?
2) Precisamos de um check-list sobre quais informações e dados a coletar em campo?
3) O que podemos pesquisar no escritório antes de ir a campo?
4) Quais ferramentas levar?
5) Precisamos de uma história-cobertura?

Os passos a seguir são praticamente similares ao CENÁRIO 1. Contudo para facilitar a definição de uma ação posterior, a coleta de dados pode ser mais ampla e menos detalhada e, portanto, o checklist deverá ser adaptado.
Pós exercício prático, deve-se exercitar um brainstorm específico utilizando como base os dados coletados como que dando sequencia ao Brainstorm realizada na sessão Pontos de Intervenção.

Referências

Por problemas na edição da wiki, essa parte será adicionada depois.

Tempo

Mínimo 8-9h

Materiais
  • Computador e bloco de notas
  • Projetor
  • Tarjetas, canetões e fita adesiva + painel ou parede para pregrar as tarjetas
  • Máquina fotográfica ou celular com boa camera
  • Spy pen ou outro tipo de camera oculta (se tiver)
Dicas

Sugere-se apenas explicar o que é uma história-cobertura e não trabalhar este tema pois isso leva tempo e há um roteiro específico

TAGS
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#analisederisco  
#aspectoslegais